A barata, coitadinha,
se perdeu na cozinha.
Zanzou pelo azulejo,
passeou pela parede,
sapateou na pia.
De repente
levou um safanão.
Feito barata tonta
tentou fugir,
mas um chinelo voou na sua direção.
E tudo ficou escuro à sua frente.
A baratinha, desbaratada,
caiu aflita
na cerâmica esmaltada.
Em agonia procurou
o autor da gratuita vilania:
"Por que tanto
ódio em seu coração?"-
perguntou a baratinha,
estrebuchando no chão.