Chegaram no hotel à noite e foram encaminhados ao quarto. O ambiente estava com ar viciado, indicando que não era usado há muito tempo.
- Liga o ar condicionado, disse o menor dos dois.
- Não adianta. O ar precisa ser renovado, não esfriado. Vou abrir a janela.
- Cê tá maluco! Do lado tem uma matagal. Vai entrar bicho.
- Vai nada, disse o outro. E abriu a janela.
Cinco minutos depois de se instalarem, o menor reclamou: - Eu não disse? Olha lá um bicho.
Era um louva-deus na parede.
- O que é que tem?
- Vc não sabe? Esses monstros são um perigo. A louva-deusa corta a cabeça do macho na hora "agá".
- E daí? Como você sabe que isso é uma "louva-deusa"? E se for, você acha que faz o tipo dela? Tenha paciência... Já são horas...
- Brinca, não. Isso é feroz. Você foi criado no mato, no meio de cobra e escorpião, mas em casa não tinha nem formiga. Não vou conseguir dormir com esse bicho aí.
- Então mata.
- Não tenho coragem.
- Então não mata, disse o primeiro, já de saco cheio. Pega com papel higiênico e joga pela janela.
Silêncio de dois minutos.
- Fulano...
- O que é?
- Quebra essa, vai. Joga o bicho lá fora para mim... Eu morro de medo desses troços da Natureza.
- Tá bom (resignado)... Pronto.
- Obrigado.
Meia hora depois.
- Fulano...
- Hummm... (acordando). O que é?
- Será que o louva-deus tá legal lá fora?