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domingo, abril 04, 2010

Detalhes

Sempre o intrigava o índice de acerto de um determinado policial. A maioria dos suspeitos que ele conduzia à delegacia tinha culpa no cartório.

Então o delegado resolveu tirar a limpo o método do vigilante numa ocorrência.

- Que vacilo o suspeito cometeu para chamar sua atenção? – perguntou o delegado à queima-roupa.

- Não olhou para mim - respondeu secamente o guarda.

- E isso é suspeito? - indagou o delegado.

- Muito suspeito, doutor.

Foi o máximo que conseguiu extrair do taciturno policial, que não se enganara mais uma vez. O sujeito era um foragido.

Noutra noite, o delegado voltou à carga.

- Já sei, este também não olhou para você - apontou para um suspeito parado para averiguação. Portava drogas.

- Não, doutor. Esse olhou.

- E isso é suspeito?

- Muito suspeito, doutor.

Aquele mistério estava consumindo o delegado por dentro. Se um sujeito olha, é suspeito. Se não olha, também. Qual o critério? Na diligência seguinte, não deixou barato:

- Muito bem, hoje você vai me explicar direito por que desconfiou desse ladrão de carro que trouxe para cá. Como soube que ele estava puxando o táxi?

- Ora, doutor, tava na cara.

- Como assim?

- O senhor já viu motorista de táxi de boné?

- Não.

- Pois é, mais bandeiroso que isso só carro de test-drive rodando à noite.

Naquele instante o delegado se convenceu que tem gente que nasce para a coisa.

Não tem explicação.

quinta-feira, maio 29, 2008

Boletim de Ocorrência

Sexagenária entra na Delegacia de Polícia. Após meia hora de espera, o escrivão a atende.
-Pois não, senhora?
-Boa tarde. Vim dar parte.
-Uma queixa, hein? Contra quem?
-Queixa? Contra ninguém. Vim registrar um elogio.
- Elogio?
-É. Um elogio para a professora do meu neto. Ela não faltou um dia no último semestre. Queria deixar registrado meu reconhecimento pela assiduidade dela.
- Infelizmente não vou poder ajudá-la, senhora. Não registramos elogios. Só temos formulário para assassinato, estelionato, atentado violento ao pudor, estupro, furto, roubo, perturbação da ordem pública, contravenção, agressão doméstica, essas coisas... Elogio, não.
-Quer dizer que vocês só se ocupam da desgraça alheia? Não têm aí nenhum meio de destacar os cidadãos de bem?
-Não, senhora. Não temos tempo para as pessoas de bem.
-É uma pena.
-É o sistema, senhora.
-Uma pena mesmo...
-Por quê, senhora?
-Eu ia registrar um elogio para vocês também.
-Para nós, senhora? Como assim?
-Notei que pintaram o prédio por fora. E colocaram um jardinzinho na entrada. Ficou muito simpático. Está tudo muito limpinho. Nem parece uma Delegacia.
-Bem, neste caso, senhora, pode preencher esse formulário aqui para a Ouvidoria...

A pedagogia dos corrompidos