Nunca tinha feito isso. Até agora.
Peguei o notebook e um projetor e improvisei uma bancada em uma avenida na região central da cidade. Na
parede ao lado projetei uma palavra:
YELLOW
Nada mais. Sentei e fiquei
esperando. As primeiras pessoas que passaram olharam desconfiadas, mas, aos
poucos, alguns transeuntes se aproximaram e perguntaram o que era YELLOW.
Eu disse que não sabia e as
convidei para essa descoberta coletiva.
Então apareceram dois sujeitos,
sendo que um deles trazia um polvo vivo no ombro, como um papagaio de pirada.
Sério! A diferença é que o polvo era maior do que um papagaio. A dupla se
integrou rapidamente ao "conselho de administração" que ali se
formou, espontâneo.
No meio do debate sobre a natureza
do negócio, o amigo do dono do polvo de estimação sacou um carregador de
celular e o plugou no meu notebook.
- Antes de prosseguirmos, eu queria
levantar uma questão de ordem, ou melhor, de sustentabilidade - interrompi.
Todos me olharam.
- E certo hackear energia? - indaguei.
As atenções voltaram-se para o
"conselheiro", que ficou bastante constrangido. Mas foi aí que
percebi que eu também tinha feito um "gato" num poste próximo para
alimentar o notebook e o projetor.
Alguns "conselheiros" começaram
a debandar, em virtude do prolongamento da reunião.
- Por favor, fiquem. Vamos
estipular um horário para o término da reunião, disse eu.
Ouvindo isso, o "hacker"
foi até um relógio público e mudou o mostrador para o horário em que a reunião
terminaria.
Quando viram este ato de
"vandalismo", os outros "conselheiros" debandaram e a
"assembleia" se dissolveu como um estouro de boiada, com medo de que
a polícia aparecesse.
Nesse instante acordei.
-*-
Esse foi o sonho que tive hoje,
narrado da melhor forma que pude.
De tudo o que se passou, resta uma
pergunta que não quer calar. Não. Não é o significado de YELLOW. Pode ser
alguma alusão a uma situação em que "amarelei". Isso é simples.
A questão é: o que um cara fazia
com um polvo nos ombros no meio da cidade?