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O diabo riu da minha cara
Moleque de tudo, adorava um fliperama. Qualquer moedinha, qualquer troquinho de pão, torrava tudo com diversões eletrônicas.
Em um boteco perto de casa tinha uma máquina de fliperama chamada Buccaneer. Um dia passei lá para gastar fácil uns centavos que meu pai suou para ganhar. Como o dinheiro era de menos e eu era ruim demais, as bolas cromadas caíam vertiginosamente. Eu já ia lançar a última bolinha, o placar estava lá embaixo, e o desespero começou a tomar conta de mim. Meu vício pedia mais.
Antevendo a abstinência forçada pela escassez de recursos e de talento, apelei: “-Se o diabo existe, quero jogar sem ter de pagar!”
A última bolinha caiu direto e reto, alheia ao meu desafio.
Decepção.
Eu já ia virando as costas, quando outra bolinha se apresentou para continuar o jogo.
Achei estranho. Mas continuei a jogar.
A bolinha caiu. Joguei de novo. E veio outra. E mais outra. E mais outra.
Eu nem acionava mais os controles. Disparava a bolinha, ela percorria todo o percurso e caía direto. Imediatamente, a máquina fornecia outra bolinha para continuar a partida.
Desisti da brincadeira. Fui para casa ligeiro.
Naquele dia parei de jogar fliperama.
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Estou em crise. Queria escrever um poema. Só vingou um press release. Lead, sublead , pirâmide invertida. Que adianta onde, como, por que, ...



