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quarta-feira, fevereiro 25, 2009

O orangotango triste


Em sua jaula de vidro,
o orangotango triste
assiste a um desfile macabro.

O espetáculo bizarro consiste
em um monte de humanos sem educação
fazendo caretas e chistes
para um injustiçado  cativo.

Pesaroso, o macaco pensa consigo:
"No abrigo estou seguro e isso me conforta.
Já pensou se eu estivesse do outro lado do muro,
além desta porta?"

E assim o macaco-estátua,
empalhado em nostalgia,
faz homenagem pungente
à nossa covardia.

A cela transparente,
e o cenário de mentira,
são um reflexo da falsidade
que macaqueia na alma da gente. 

Orangotango, meu amigo,
Saíste melhor que a encomenda.
Foste contratado para palhaço peludo,
Mas você imita à perfeição 
as mazelas do mundo.

Nenhum artista dito humano 
jamais me tocou assim.
Bendito orangotango,
se isso te consola, 
saiba que sempre serás 
mais que um astro para mim.
 
Não existe nesta cidade 
ingresso mais caro do que o que paguei hoje
para ver o orangotango triste.
O bilhete  custou a sua liberdade 
e ainda mais  alguns reais.



A pedagogia dos corrompidos