Queria escrever um poema.
Só vingou um press release.
Lead, sublead, pirâmide invertida.
Que adianta onde, como, por que, quando
se nem sei who am I nesta vida?
Meu teclado tem letras demais.
Letras demais e emoção de menos.
Minhas alegrias cabem numa lauda.
Em espaço duplo.
Há palavras que aposentei por falta de uso.
A primeira foi "eu". No manual de redação
não há lugar para a subjetividade.
O jornalismo é um vale sem alma.
O que agora escrevo não existe mais.
A tecla é uma sentença de morte.
Furo: jornalismo e futuro são incompatíveis.
Te cuida, artéria,
que lá vem o deadline!




