sábado, março 15, 2008

Currículo

Como cidadão tive uma carreira sinistra:
minha poupança foi tomada por uma ministra;

comprei boi gordo;
perdi um dedo em um off-road;

cobraram de mim CPMF;
o Congresso é um blefe;

caí no buraco do metrô;
desviaram dinheiro da aposentadoria do vovô;

tomei leite batizado;
enchi o tanque com combustível adulterado;

meu filho brincou com brinquedos cor de chumbo;
o partido em que eu votava enganou todo mundo;

meu palácio de areia ruiu;
enfim, coisas do Brasil.

Este não é mesmo um país sério,
somos depenados até no cemitério.

domingo, março 02, 2008

Pedágio visual, uma análise astigmática

Terminei de assistir, em DVD, ao Tropa de Elite. Não vou entrar na questão da violência e crise social, que já se gastou muito português melhor que o meu para comentar a história.

Me chamou muito atenção a "capivara" de patrocínios que desfilam na tela antes da película efetivamente começar. Creio que no cinema deve ter acontecido a mesma coisa. Por que não colocam aquela trolha no final? Por lei, sei que o produtor cultural tem de dar visibilidade máxima às marcas apoiadoras e aos logos da lei de incentivo. Mas colocando antes do filme, estão dando um tiro no pé. Em vez de conquistar a simpatia do público, enerva-o gratuitamente. Melhor seria colocar o trem todo no final. Não fazem porque dizem que as pessoas saem da sala antes ou desligam o player antes dos créditos. Mas quem garante que prestam atenção ao começo?

Quem não liga para os detalhes da produção, não quer saber de anda disso, seja no início ou fim.

É um pedágio visual. E como todo pedágio, ingrato.

A pedagogia dos corrompidos