Os carros poluem muito. A poluição ambiental, como se sabe, mata. É um problema de saúde pública.
Em breve, os motoristas serão tratados como os fumantes inveterados. A indústria farmacêutica vai lançar um patch de gasolina ou diesel - igualzinho aos de nicotina - para colar na pele.
"Você andou dirigindo de novo, pai", dirá a filhinha ao seu pai, ao sentir o cheiro de combustível na roupa dele. "Que mancha de graxa é essa no seu colarinho?", poderá inquirir a esposa desconfiada.
Ninguém vai querer ser fotografado em público dirigindo um carro.
A publicidade automobilística será banida dos meios de comunicação. Sem anúncio de cigarro, álcool e carros, os meios de comunicação serão obrigados a publicar matérias de informação e prestação de serviço para sobreviver...
As montadoras e concessionárias poderão se dedicar ao seu verdadeiro core business: financiamento a juros hemorrágicos.
Na falta de suas tradicionais vítimas, os flanelinhas vão passar a achacar dinheiro de quem quiser estacionar o traseiro nos bancos da praça.
Será um alívio para a indústria de bebida alcoólica. Ninguém mais vai morrer embriagado ao volante. Vão morrer por intoxicação etílica na calçada mesmo. É mais seguro.
A CET vai multar pedestres.
O Denatran vai obrigar os cidadão a andarem com uma placa veicular nas costas.
O Estado vai cobrar licenciamento, IPVA e IPI dos transeuntes. E criar mais burocracia para a retirada de tais documentos.
Os despachantes vão faturar mais dinheiro ainda.
E os sacoleiros vão começar a trazer autopeças do Paraguai em vez de cigarros.
Pensando bem, libera o carro.
Vai dar menos dor de cabeça.