segunda-feira, julho 06, 2009

Pesquisa de mercado

Uma grande transnacional, dessas que fabricam desde palito de dente até ônibus espacial, quis saber do que seus clientes mais precisavam no momento. As vendas não iam bem e o diretor de marketing estava preocupado. Encomendaram uma pesquisa para ontem.

Dois meses depois, saiu o resultado.

- Então, do que nossos clientes mais precisam? Um forno micro-ondas de bolso? Um batom de duas cores? Um pneu anti-furo? - perguntou o diretor de marketing, com a certeza de que conhecia bem o seu rebanho, digo, público.

- Não - respondeu o diretor de atendimento do instituto de opinião pública.

- Já sei. Precisam de um modess reutilizável. Está na moda essa história de reuso. Coisa de ambientalista, você sabe... - insistiu o marqueteiro.

- Nada disso. Se o senhor me permitir continuar a apresentação...

- Meu amigo, eu conheço essa gente. Faz anos que eu trabalho para atender as necessidades deles. Nossa equipe passa meses morando com nossos consumidores. Sabemos até quantas vezes vão ao banheiro por dia.

- Talvez o senhor tenha uma supresa.

- Meu amigo, meu trabalho é surpreender, não ser surpreendido. Não tem nada aí que eu já não saiba.

- Então posso prosseguir?

- À vontade - desdenhou o diretor de marketing, já desconfiando da seriedade do estudo.

- Bem, após extensa pesquisa de campo, ouvindo consumidores dos países onde a sua empresa atua, chegamos à conclusão de que seus clientes precisam de algo que não está em seu portfólio.

- Duvido. Nós preenchemos todas as necessidades deles. Temos mais de 3 mil itens nos mercados. Produzimos coisas que eles nem sabem que precisam...

- Desculpe, mas revisamos toda a metodologia, a margem de erro está dentro dos padrões estatísticos, a amostra foi cuidadosamente selecionada.... Cientificamente, o estudo é perfeito.

- Mas então que raios de artigo eles estão precisando?

- Fé.


Materialismo


O sujeito era tão materialista,
mas tão materialista,
que sua alma pesava
5 kg.

sexta-feira, julho 03, 2009

Os livros de Administração estão errados

Há diversas definições para corporação. Uma das mais esdrúxulas é a analogia com o corpo humano. Senão, vejamos. No corpo humano, os órgãos trabalham em harmonia para o bem comum, cada um na sua. O rim não compete com o pâncreas nem planeja tomar o lugar do fígado. O coração não sabota o cérebro. O pé não se mete à besta de querer trocar de lugar com a mão. Todo mundo fala a mesma língua. O cérebro coordena tudo, mas sem castigo ou recompensa. E ninguém fica de braço cruzado esperando o circo pegar fogo, não. Quando um órgão falha, o organismo tenta compensar o problema. Se o indivíduo fica cego, os demais sentidos ficam mais aguçados, por exemplo. Uma mão lava a outra.

Já numa corporação, como uma empresa, a coisa é diferente. É cada um por si e todos por ninguém. O empregado quer cada vez ganhar mais e trabalhar menos. O empresário quer aumentar a produção e reduzir custos, principalmente com mão-de-obra. O marketing quer uma linha de produtos cada vez mais diversificada e personalizada para os clientes. O gerente da fábrica quer uma linha de produção cada vez menos personalizada e mais fácil de administrar. Para isso, ele precisa investir mais na automatização, mas o financeiro não quer abrir a mão. E os acionistas não querem saber de nada disso, só do lucro.

Uma corporação não tem a mínima semelhança com o corpo humano. Já pensou se de repente os órgãos fizessem uma reengenharia e decidissem fazer um outsourcing do fígado? Ou cortar um dos rins (para que duplicidade de funções?). Ou ainda fazer um rodízio na administração e designar o intestino para comandar a seção hepática? Ia dar merda.

É justamente isso o que acontece nas corporações.

quarta-feira, julho 01, 2009

Hacker ético é o mesmo que tarado virgem

Recebi dia desses um spam sobre um curso denominado "hacker ético".

Começou mal. Faltou coerência. Se o curso fala de ética, não deveria ser divulgado por spam.

O curso salientava a importância de se conhecer como funciona a cabeça de um hacker para poder se proteger dos ataques deles.

O conteúdo tem lá sua utilidade.

Questiono o rótulo.

Atribuir ética a um hacker é ser antiético.

Pedido consciente

Cuidado com o que se pede.

O pedido pode ser atendido.

Nóis na mídia

A pedagogia dos corrompidos