quinta-feira, julho 23, 2009

O inquisidor

Talhava letras no papel com o aço da sua pena,
cada palavra ferrada como uma tatuagem
no braço de quem era endereçada a mensagem.

A crítica banhada em nanquim,
assim consagrava o veredicto:
demônio ou serafim,
profano ou bendito.

Era digital: há virtude no virtual?

Como otimizar a conversa com os amigos

Perdi a conta das chances de reencontrar amigos, por motivos diversos. Não somos donos de nós mesmos muito menos de nosso tempo.

Por isso é muito importante otimizar ao máximo o tempo valioso e escasso que passamos com nossos amigos. Nada de perder tempo com futilidades. O que agrega à amizade, numa situação dessa, gastar saliva sobre futebol, tempo e futebol? Temos de ir direto ao ponto, falar das coisas que realmente importam e que fazem a diferença na nossa vida.

Por isso eu já tenho esquematizado na cabeça um roteiro de conversa para meus camaradas de infância, faculdade, prancheta e de outros empregos, caso nossos caminhos voltem a se cruzar.

- E aí, amigão, já fez seu exame de toque retal neste ano?

Primeiras palavras

quarta-feira, julho 22, 2009

Sobre oportunidade




Não é de se estranhar que um famoso banco, comandado por um empresário que atende por nome e sobrenome que começam com a mesma consoante, seja frequentemente associado a 9 em cada 10 grandes falcatruas nacionais.

A oportunidade faz o ladrão.

terça-feira, julho 21, 2009

Porque as pessoas não ganham sozinhas na mega-sena acumulada

Descobri porque vários jogadores contumazes nunca ganharam na mega-sena acumulada sozinhos.

É porque a mega-sena os transformariam em pessoas piores.

Certas pessoas dizem, avaliando a hipótese de enriquecerem da noite para o dia, que varreriam todo seu passado e sumiriam do mapa com todo esse dinheiro. Ou seja, seriam egoístas ao extremo.

Já vi pessoas, em êxtase, lambendo os beiços mesmo, dizendo que iriam todo dia aos restaurantes mais caros da cidade. Mais um pecado aflora regado a dinheiro: a gula.

Os mais recalcados diriam que gastariam tudo com esbórnia e excessos: virariam réprobos promíscuos.

Há aquela parcela de ricos imaginários que não pensariam duas vezes: se ganhassem na mega-sena queimariam toda a mobília de casa e ficariam assistindo ao espetáculo pirotécnico. Sinal de que se tornariam déspotas inconsequentes.

Não muito diferentes dos demais canditados à fortuna, outros se pronunciaram. Trocariam até o cônjuge. Fica configurada a tendência para a ingratidão e desrespeito.

Muitos revelaram que mandariam o trabalho para as cucuias e viveriam de sombra e água fresca. Como vêem, a preguiça e ociosidade tomariam conta desse abastado.

Por essas e outras, creio que alguma instância - chamem do que quiserem: lei maior, sorte, providência, acaso - decidiu preservar tais pessoas das riquezas materiais repentinas.


Eu? Se ganhasse? Eu pararia de postar nesse blog.

sexta-feira, julho 17, 2009

Propaganda gratuita


Pouca gente parece que percebe, mas trabalhamos muito de graça para os outros.

Dois exemplos: aquela plaquinha que as concessionárias fixam nos automóveis à revelia do comprador. Os motoristas rodam por aí fazendo propaganda da revendora. De graça.

A mais descarada forma de propaganda gratuita está sendo adotada pelas fabricantes de smartphone.

Para que eu preciso saber se uma mensagem foi encaminhada para mim a partir de um aparelho da marca "x" ou "y"?



A pedagogia dos corrompidos