segunda-feira, fevereiro 08, 2010

O dia em que o Batman me barrou na DC Comics ou o dia que conheci Alfred E. Neuman

Na primeira vez que fui a Nova York - quero dizer, na única vez em que estive lá - montei um roteiro de visitas um pouco esquisito, que incluía, entre outras coisas, visitar algumas redações. A primeira da lista era a DC Comics, editora do Super-Homem.

No segundo dia da estada, fui munido da minha câmera fotográfica para a Broadway. Logo de cara, uma surpresa: a recepção era decorada como a Batcaverna e até a sinalização das rotas de fuga do andar eram desenhadas em estilo comics.

Apresentei-me como jornalista brasileiro e manifestei minha vontade de conhecer o staff da editora.

Tudo isso sem agendar... É claro que não iria rolar. Nem os culpo.

Após receber um "no" bem grande, já estava pensando em desistir desta peregrinação nerd quando descobri que a redação da revista Mad, que também pertencia à Time-Warner, funcionava no mesmo prédio.

Não tive dúvidas. Migrei alguns andares e repeti o ritual. Disse que era jornalista do Brasil e que queria muuuuito visitar a redação etc.

Minutos depois, uma simpática moça, de sobrenome Gaines (Bill Gaines era o publisher original da Mad, na década de 50) recebeu-me e me apresentou à equipe, mostrou a capa da próxima edição e um trabalho original do Mort Drucker, um dos mais famosos desenhistas de sátiras cinematográficas da casa. E ainda me presenteou com vários exemplares da revista!

No final, a apoteose: a Gaines tirou uma foto minha ao lado de uma estátua do mascote da Mad, o Alfred E. Neuman, que ficava na entrada da redação!

Foi melhor do que ganhar um cinto de utilidades fake.

domingo, fevereiro 07, 2010

O juiz e a cabra - parte 1

O juiz havia se instalado há poucos meses numa cidadezinha do interior quando, um dia, um cidadão apareceu com uma cabra no Fórum.
- Dr., achei essa cabra, não sei o que fazer com ela.
Finalmente algo acontecia naquela cidade marasmenta, pensou o magistrado.
- Despachem o animal para delegacia e tomem conta dela até que o dono apareça - ordenou o togado à força policial, constituída de dois homens.
Manda quem pode e obedece quem tem juízo, o animal foi depositado nos fundos da delegacia.
Dias depois, apareceu um homem no Fórum reclamando o animal.
- Seu juiz, soube que acharam a minha cabrinha. Vim levá-la de volta!
- Um momento, meu senhor. Não é bem assim! Vamos marcar uma audiência, o senhor traz as testemunhas e só depois de comprovar que ela é sua poderá levá-la.
Audiência marcada, testemunhas ouvidas, a cabra era mesmo do homem. Após esgotar todas as formalidades do trâmite, finalmente o representante da Justiça deliberou:
- Pode comparecer à delegacia para levar sua cabra embora.
No final do expediente daquela dia - o juiz entrava 12h45 e saía 13h45 - a força policial o aguardava.
- Doutor, podemos lhe falar?
- Claro, fiquem à vontade...
- Lembra aquele churrasco que fizemos?
- Sim.
- Que o senhor também comeu?
- Lembro. O que tem ele?
- O churrasco era a cabra.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

São Paulo, Amazonas

Estamos assistindo à amazonificação de São Paulo.
Chove aqui que nem lá.
Imagino as conversa no mundo corporativo nesses tempos diluvianos:

-Vamos marcar a reunião antes ou depois da chuva?

Ou
- Hoje estou sem barco. Você me dá uma carona?

Ou
-Olha só isso! Comprei essa roupa de mergulho na Vila Romana.

Ou.
- Não me venha com esta desculpa de leptospirose. Quero esse relatório para amanhã!

Ou
- Menina, um luxo esse seu salto 30 centímetros!
- É para pular poça d'água.


quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Escravos modernos

Estava colocando no escritório e me dei conta do tsunami de papéis que estava sob a mesa.

Fiquei pensando: somos nós que organizamos todos esses papéis (tributos, taxas, impostos, recibos, extratos) ou são os papéis que nos organizam?

Vivemos em função deles e não o contrário, como deveria ser.

Somos escravos da burocracia.


A pedagogia dos corrompidos