sexta-feira, fevereiro 12, 2010

O juiz e a cabra - parte 2

O juiz ficou atônito com a informação de que havia comido a cabra em poder da força policial e que deveria ser restituída ao dono.

- Tem algum problema, doutor? – perguntou um dos dois policias que guarneciam a cidade.

- Se a palavra “peculato” significa algo para vocês dois, tem – respondeu o magistrado, antevendo problemas.

- O que faremos então, doutor? O dono do animal que virou churrasco vai reclamá-lo na delegacia.

- Comprem uma cabra igualzinha e dêem para ele. Nem vai perceber a diferença. Vão, vão, depressa!

A dupla seguiu em diligência. Mais tarde, procuraram o juiz:

- Doutor, tudo em ordem. Reposição feita.

No dia determinado, o dono compareceu à delegacia e resgatou a cabrinha.

O juiz suspirou aliviado e retomou o seu expediente de uma hora diária.

Poucos dias depois, chamam o magistrado no gabinete:

- Doutor, tem um cidadão aqui querendo falar com o senhor (cidade pequena é assim, não precisa marcar hora).

- Mande entrar, disse o juiz.

- Ele não pode. Quer conversar com o senhor aqui fora.

- Como não pode? Não precisa ter cerimônia (a cidade era tão pequena e ordeira que quando o juiz entrava no restaurante, todos se levantavam).

- Ele pode, quem não pode é a cabra. Ela pode fazer feio aí dentro.

O juiz ficou surpreso. O que aquele sujeito queria com ele? E ainda trouxe a cabra... Na certa, queria agradecer, trazia algum litro de leite de cabra, essas coisas. O povo daquela cidade era muito dado a essas gentilezas para com as autoridades. Levantou-se e foi à porta.

- Tarde, doutor.

- Tarde. O senhor queria me ver?

- Sim. Sabe o que é doutor? Não posso ficar com essa cabra.

- Uai, homem, por quê?

- Essa cabra não é minha.

Fim da parte 2. Continua...

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

terça-feira, fevereiro 09, 2010

O diabo riu da minha cara

Moleque de tudo, adorava um fliperama. Qualquer moedinha, qualquer troquinho de pão, torrava tudo com diversões eletrônicas.

Em um boteco perto de casa tinha uma máquina de fliperama chamada Buccaneer. Um dia passei lá para gastar fácil uns centavos que meu pai suou para ganhar. Como o dinheiro era de menos e eu era ruim demais, as bolas cromadas caíam vertiginosamente. Eu já ia lançar a última bolinha, o placar estava lá embaixo, e o desespero começou a tomar conta de mim. Meu vício pedia mais.

Antevendo a abstinência forçada pela escassez de recursos e de talento, apelei: “-Se o diabo existe, quero jogar sem ter de pagar!”

A última bolinha caiu direto e reto, alheia ao meu desafio.

Decepção.

Eu já ia virando as costas, quando outra bolinha se apresentou para continuar o jogo.

Achei estranho. Mas continuei a jogar.

A bolinha caiu. Joguei de novo. E veio outra. E mais outra. E mais outra.

Eu nem acionava mais os controles. Disparava a bolinha, ela percorria todo o percurso e caía direto. Imediatamente, a máquina fornecia outra bolinha para continuar a partida.

Desisti da brincadeira. Fui para casa ligeiro.

Naquele dia parei de jogar fliperama.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Quer ser diferentão?

Todo mundo lê Veja, Estadão, Folha ou O Globo.

Quer ser diferente?

Leia e indique também o ETVH:

http://etristeviverdehumor.blogspot.com.

O dia em que o Batman me barrou na DC Comics ou o dia que conheci Alfred E. Neuman

Na primeira vez que fui a Nova York - quero dizer, na única vez em que estive lá - montei um roteiro de visitas um pouco esquisito, que incluía, entre outras coisas, visitar algumas redações. A primeira da lista era a DC Comics, editora do Super-Homem.

No segundo dia da estada, fui munido da minha câmera fotográfica para a Broadway. Logo de cara, uma surpresa: a recepção era decorada como a Batcaverna e até a sinalização das rotas de fuga do andar eram desenhadas em estilo comics.

Apresentei-me como jornalista brasileiro e manifestei minha vontade de conhecer o staff da editora.

Tudo isso sem agendar... É claro que não iria rolar. Nem os culpo.

Após receber um "no" bem grande, já estava pensando em desistir desta peregrinação nerd quando descobri que a redação da revista Mad, que também pertencia à Time-Warner, funcionava no mesmo prédio.

Não tive dúvidas. Migrei alguns andares e repeti o ritual. Disse que era jornalista do Brasil e que queria muuuuito visitar a redação etc.

Minutos depois, uma simpática moça, de sobrenome Gaines (Bill Gaines era o publisher original da Mad, na década de 50) recebeu-me e me apresentou à equipe, mostrou a capa da próxima edição e um trabalho original do Mort Drucker, um dos mais famosos desenhistas de sátiras cinematográficas da casa. E ainda me presenteou com vários exemplares da revista!

No final, a apoteose: a Gaines tirou uma foto minha ao lado de uma estátua do mascote da Mad, o Alfred E. Neuman, que ficava na entrada da redação!

Foi melhor do que ganhar um cinto de utilidades fake.

A pedagogia dos corrompidos