sexta-feira, março 26, 2010

quinta-feira, março 25, 2010

A única coisa certa que faço de manhã

Escovei os dentes com creme de barbear
escanhoei a face com o creme dental
lavei a cabeça com protetor solar
temperei o chocolate com sal.

Coloquei uma meia de cada cor
e afivelei o cinto no pescoço
do celular chamei o elevador
e guardei com carinho seu retrato no bolso.





Caderno de empregos

Por que no caderno de empregos nunca tem vaga para poeta?

terça-feira, março 23, 2010

Redanação

Estou em crise.
Queria escrever um poema.
Só vingou um press release.

Lead, sublead, pirâmide invertida.
Que adianta onde, como, por que, quando
se nem sei who am I nesta vida?

Meu teclado tem letras demais.
Letras demais e emoção de menos.
Minhas alegrias cabem numa lauda.
Em espaço duplo.

Há palavras que aposentei por falta de uso.
A primeira foi "eu". No manual de redação
não há lugar para a subjetividade.
O jornalismo é um vale sem alma.

O que agora escrevo não existe mais.
A tecla é uma sentença de morte.
Furo: jornalismo e futuro são incompatíveis.

Te cuida, artéria,
que lá vem o deadline!

Minha esposa, meu tudo

A minha esposa é quem faz a minha cabeça.

Comprei uma máquina e ela passa o pente número 1.

segunda-feira, março 22, 2010

O juiz e o alienígena

Uma quadrilha de assaltantes foi desmantelada pela justiça. A maioria, imigrantes.
Na audiência com dois deles, o interrogatório estava difícil.

- No hablamos portugués! - argumentava o que parecia o líder.

- Que pena, disse o juiz para o escrivão. Eu estava para libertá-lo. Agora teremos de marcar uma nova audiência com presença de um intérprete para daqui a três meses.

O réu pensou um pouquinho e lascou essa:

- Pero si hablan despacio puedo entender...

O juiz remarcou nova audiência dentro de seis meses.

Virei conteúdo paradidático

Uma editora vai publicar um cartum meu num livro de português.
Isso que é coragem.

A pedagogia dos corrompidos