segunda-feira, abril 05, 2010

Terapia

poesia é terapia
para quem lê
para quem crê
e até para quem desconfia.

O primeiro beijo

quando desenho
volto a ser menino
cada cartum publicado
é como se fosse
o primeiro beijo roubado.

domingo, abril 04, 2010

Trégua

linha e lápis
fazem as pazes
no leito eterno
do meu caderno

Detalhes

Sempre o intrigava o índice de acerto de um determinado policial. A maioria dos suspeitos que ele conduzia à delegacia tinha culpa no cartório.

Então o delegado resolveu tirar a limpo o método do vigilante numa ocorrência.

- Que vacilo o suspeito cometeu para chamar sua atenção? – perguntou o delegado à queima-roupa.

- Não olhou para mim - respondeu secamente o guarda.

- E isso é suspeito? - indagou o delegado.

- Muito suspeito, doutor.

Foi o máximo que conseguiu extrair do taciturno policial, que não se enganara mais uma vez. O sujeito era um foragido.

Noutra noite, o delegado voltou à carga.

- Já sei, este também não olhou para você - apontou para um suspeito parado para averiguação. Portava drogas.

- Não, doutor. Esse olhou.

- E isso é suspeito?

- Muito suspeito, doutor.

Aquele mistério estava consumindo o delegado por dentro. Se um sujeito olha, é suspeito. Se não olha, também. Qual o critério? Na diligência seguinte, não deixou barato:

- Muito bem, hoje você vai me explicar direito por que desconfiou desse ladrão de carro que trouxe para cá. Como soube que ele estava puxando o táxi?

- Ora, doutor, tava na cara.

- Como assim?

- O senhor já viu motorista de táxi de boné?

- Não.

- Pois é, mais bandeiroso que isso só carro de test-drive rodando à noite.

Naquele instante o delegado se convenceu que tem gente que nasce para a coisa.

Não tem explicação.

Pai e filho

A pedagogia dos corrompidos