quarta-feira, agosto 04, 2010

Salada indigesta

- Amor, passa um pouco mais da endívia para mim?
- Xi, acabou, amor. Vou pedir para a Rosinha preparar um pouco mais. Rosinhaaa!
- A senhora chamou?
- Sim. Pode trazer mais endívia para nós?
- Não dá, tenho de sair. O Roberto tá me esperando lá embaixo.
- Como não dá?
- Não dando. Meu expediente terminou há meia hora. Tchau!
- Espera aí, Rosinha. Que história é essa? Não foi esse o combinado. Eu te pago para dormir no emprego.
- E eu vou dormir. Mais tarde.
- Mas eu te dou um teto e comida para você ficar à disposição 24 horas, entendeu?
- A senhora não dá nada. Eu trabalho aqui 10 horas por dia, ganho pouco mais que um salário-mínimo, durmo num cubículo sem janela e o armário é um criado-mudo. Pode ter certeza que quem está pagando aqui sou eu. E caro.
- Rosinha! Isso é uma afronta em minha própria casa. Olha que te dou as contas!
- Seria um prazer. Só não sei se vocês teriam dinheiro para pagar as horas extras.
- Horas extras?
- É. E a insalubridade.
- Insalubridade?
- É. Já leu o rótulo de uma água sanitária?
- N-não... Mas isso faz parte do seu trabalho! São ossos do ofício.
- A senhora pode ter certeza que esse orifício é um osso duro de roer.
- Amor, você não diz nada?
- Eu acho que...
- É melhor o senhor não dizer nada, pois está de boca cheia. Adeus.
- Isso não pode ficar assim. Precisamos tomar uma providência. Querido?
- Pode deixar, amor. Não fique irritada. Eu mesmo preparo a endívia... Só tem uma coisa...
- O que é?
- Onde fica a cozinha mesmo?

segunda-feira, agosto 02, 2010

Madrugada na porta do colégio com porcos

Passar a madrugada na porta do colégio para garantir a matrícula da filha, por si só, já uma experiência bizarra.

Mais bizarro ainda é ouvir a conversa de outros pais.

Tinha um deles, um veterinário, que contava sua experiência com suinocultura.

- A gente tinha de fazer uns serviços bem xaropes.

- Ah, é? Que tipo?

- Todo dia a gente tinha de colher a primeira urina dos porcos para exame.

- E como você sabia que era a primeira urina do porco?

- A gente chutava os porcos que estavam dormindo e eles saiam correndo urinando.

Dia da Mentira – Parte 1

Um juiz estadual tinha o costume de reservar um dia da semana para ouvir presos. Esse dia era conhecido informalmente no gabinete dele como “Dia da Mentira”.

Pois num desses dias, ele iria conduzir a uma oitiva diferente.

- Tragam o preso número tal, ordenou o magistrado.

E os funcionários levaram o acusado à presença do juiz, que imediatamente começou a tomar os seus dados para a qualificação.

- Profissão?

- Traficante.

O juiz ficou assombrado com a sinceridade. E deu corda para o acusado:

- O senhor me desculpe, mas é que precisamos ser mais específicos. Para não gerar confusão, sabe? Por exemplo, eu sou um juiz. Mas não um juiz qualquer. Não sou juiz de futebol. Sou um juiz de direito, entende? E o senhor? É traficante de quê?

- De drogas, seu juiz.

- Anote aí, senhor escrevente: traficante de drogas. E lambendo os beiços, o magistrado revolveu os autos... Muit o bem, do inquérito consta que o senhor portava uma Magnum ilegal quando foi preso. É verdade?

- Sim, senhor juiz. Era uma Magnum.

- Essa arma era sua?

- Era, sim senhor.

- Mas que para quê você precisava de uma Magnum?

- O senhor sabe, a profissão exige, né? É uma ferramenta de trabalho.

- Sei. Mas o número de identificação da arma estava raspado. Foi o senhor que fez isso?

- Foi, sim. Sabe, doutor, essa arma era de um policial...

- Entendi. Estou satisfeito. Por hoje é só. Tenha um bom-dia - abreviou o magistrado.

- Um momento, seu juiz. Tem mais uma coisa...

Fim da parte 1

A pedagogia dos corrompidos