quinta-feira, agosto 19, 2010

Milagre

A vida do Mahatma Gandhi coube num livrinho de bolso?!?

Desabafo

Meus amigos,

O nascimento virou um IPO.

Converso mais com meu celular do que comigo mesmo.

O cristal líquido secou minha retina.

O teclado apagou minhas digitais. Não reconheço mais meus textos.

Sigo várias pessoas no twitter que não sabem para onde vão. E, pior, elas também me seguem.

O Excel é a planilha do capeta. Toda tabela dinâmica resulta em 666. Experimente. Se não deu, é o diabo lhe pregando uma peça.

The Cult foi a melhor banda do planeta por um milionésimo de segundo.

Meus vizinhos só se reúnem uma vez por mês. Para se acusarem mutuamente. É a confraternização do ódio.

Minha filha e minha esposa, amo vocês, isso não mudará, nunca. Espero que me perdoem por isso.

Meus pais, sem vocês eu não seria nada, literalmente. Devo-lhes tudo.

Você, que me lê, obrigado pela terapia gratuita.

Looser

quarta-feira, agosto 18, 2010

Ocultismo às claras

Depois de ler alguns livros sobre sociedades herméticas, cheguei à conclusão de que a alquimia existe. E na verdade não tem nada de oculta ou esotérica. Basta um ingrediente para a magia acontecer: boa vontade.

A boa vontade é a chave da alquimia, ciência capaz de transmutar chumbo (vício) em ouro (virtude).

quinta-feira, agosto 12, 2010

Dia da Mentira - Parte 2

- Pois não? - animou-se o juiz.
- Tenho de corrigir meu depoimento - asseverou o réu.
- Como assim?
- Eu havia dito ao outro juiz que não era responsável pela morte de uma pessoa. Não era verdade. Assumo o que fiz.
- Mas o que fez o senhor mudar de ideia?
- Sabe, doutor, na cadeia me converti. E não quero saber de carregar esta culpa toda para sempre. Quero pagar tudo aqui mesmo e ficar quites.
- Muito bem. Mas por que o senhor matou...(consultando os autos)...fulano?
- Ele devia grana para mim. E eu tinha um nome a zelar, né doutor? A gente tem de impor respeito nesse negócio de drogas, se não os "nóia" dão "cambau" na gente.
- E o que o senhor fez?
- Amarrei ele no para-choque do carro e o arrastei para cima e para baixo pela vila.
- E o senhor quer que essa confissão conste dos autos?
- Sim, o senhor conta para o outro juiz?
- Claro, um momento (sai da sala e liga para o outro magistrado). Siclano, tudo bem? É sobre o caso do Beltrano. Ele acaba de confessar um crime e pede para acrescentar nos autos. Você pode dar um pulo aqui, no meu gabinete?
- Agora não posso. Estou no meio do tribunal. Tome nota para mim, por favor, depois resolvo! Obrigado.
Assim procedeu o magistrado em favor do colega e mandou recolher o réu confesso ao xadrez. O traficante estava resignado, a mansidão em pessoa.
Naquele Dia da Mentira foi a primeira vez que aquele juiz ouviu uma verdade.

A pedagogia dos corrompidos