Depois chegaram no mercado os compact discs, que são menores, comportam mais músicas e que supostamente não apresentam o mesmo grau de desgaste mecânico com o tempo de uso. Como todo mundo sabe, são fabricados a partir de polímero, com uma das faces revestida de uma liga metálica. A leitura dessa superfície metálica, onde os dados são gravados, é feita por um canhão de laser e não por uma agulha. Som digital, prático, inodoro e intangível, audição prolongada.
Os puristas dizem, apoiados por "testes cegos", que o som digital é ainda inferior ao analógico dos antigos vinis. Já os defensores da tecnologia binária ovacionam a fidelidade sonora e a praticidade dos compact discs. Mas, sejamos francos, o design gráfico dos estojos dos CDs fica muito a desejar quando comparado ao dos melhores LPs. Por outro lado, justiça seja feita, as dimensões reduzidas do compact disc, por sua vez, demandam muito menos espaço nas prateleiras do que as nostálgicas bolachas pretas.
Agora estamos na era dos áudios digitais compactados. Um dos formatos mais comuns é o MP3, cuja qualidade pode variar de acordo com a taxa de compressão do arquivo, que traz "perdas quase imperceptíveis ao ouvido humano". Entidades etéreas e invisíveis, os MP3 e similares podem ser armazenados comodamente em diversos tipos de mídias digitais ou até mesmo em "nuvens", e facilmente compartilhados pela internet ou editados com vários programas gratuitos disponíveis na rede.
Sem querer me alongar nas questões técnicas sobre engenharia de som ou informática, nas quais sou uma nulidade completa, e por já ter abusado da sua paciência ignorando neste texto em vários momentos um dos princípios básicos da redação jornalística que é a objetividade, cheguei por vias mais que tortas aonde eu queria. O que mais chama minha atenção entre os argumentos usados pelos defensores dos áudios digitais é a suposta vantagem que esta forma de mídia musical tem, do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, sobre as tecnologias anteriores, que ainda encontram simpatizantes vivos e apaixonados. O compartilhamento on-line seria, na opinião deles, ecologicamente mais correto, pois elimina o uso de materiais como vinil, papel, plástico e ligas metálicas na fabricação das mídias.
Esse pessoal esquece que, para ouvir esse conteúdo binário em áudio, são necessários players que consomem materiais extraídos ou produzidos de forma tão predatória ou catastrófica para as gerações futuras quanto os citados anteriormente e classificados como "obsoletos". Essa vulnerabilidade do discurso digital também não livra a cara da turma do vinil, que é um produto perecível e descartável e que depende também de players candidatos a lixo eletrônico. Só iguala o jogo.
Que me desculpem os analógicos e os binários, mas som verde e de alta fidelidade mesmo só quem faz é o passarinho.



