segunda-feira, abril 25, 2011

Som verde?

Eu sou do tempo do LP . Não sabe o que é isso? Long Plays, ou simplesmente LPs, são aquelas bolachonas feitas geralmente de vinil preto (material parcialmente derivado do petróleo) com trilhas concêntricas que emitiam ruídos analógicos quanto tocadas por uma agulha com ponta de diamante ligada a um amplificador (pode vasculhar a casa do seu avô, há grandes chances de você encontrar algum LP ou uma vitrola lá). Uma curiosidade: com o tempo, o atrito da agulha desgastava os sulcos originais das trilhas do LP e provocava ruídos. Fazia parte do charme da coisa. Era costume fazer cópias dos vinis em fitas magnéticas que, com o tempo, também eram mastigadas pelos players ou se desmagnetizavam (ainda tenho um gravador portátil de fita K7 e mais de uma vez fui ridicularizado por ainda usar esse aparelho arcaico, como se um aparelho digital fosse inocular mais inteligência no discurso armazenado...). Ou seja, por mais zeloso que fosse um audiófilo com seu acervo, seu prazer tinha uma data certa para acabar. O LP apresentava também um atrativo extra. Vinha embalado num envelope enorme de papel cartão e normalmente era acompanhado de um encarte com fotos, letras das músicas e algum texto. Ou seja, ouvir um LP era um ritual, uma experiência sinestésica, que envolvia os sentidos tátil, visual e auditivo. Às vezes até olfativo, se o disco apresentasse bolor...

Depois chegaram no mercado os compact discs, que são menores, comportam mais músicas e que supostamente não apresentam o mesmo grau de desgaste mecânico com o tempo de uso. Como todo mundo sabe, são fabricados a partir de polímero, com uma das faces revestida de uma liga metálica. A leitura dessa superfície metálica, onde os dados são gravados, é feita por um canhão de laser e não por uma agulha. Som digital, prático, inodoro e intangível, audição prolongada.

Os puristas dizem, apoiados por "testes cegos", que o som digital é ainda inferior ao analógico dos antigos vinis. Já os defensores da tecnologia binária ovacionam a fidelidade sonora e a praticidade dos compact discs. Mas, sejamos francos, o design gráfico dos estojos dos CDs fica muito a desejar quando comparado ao dos melhores LPs. Por outro lado, justiça seja feita, as dimensões reduzidas do compact disc, por sua vez, demandam muito menos espaço nas prateleiras do que as nostálgicas bolachas pretas.

Agora estamos na era dos áudios digitais compactados. Um dos formatos mais comuns é o MP3, cuja qualidade pode variar de acordo com a taxa de compressão do arquivo, que traz "perdas quase imperceptíveis ao ouvido humano". Entidades etéreas e invisíveis, os MP3 e similares podem ser armazenados comodamente em diversos tipos de mídias digitais ou até mesmo em "nuvens", e facilmente compartilhados pela internet ou editados com vários programas gratuitos disponíveis na rede.

Sem querer me alongar nas questões técnicas sobre engenharia de som ou informática, nas quais sou uma nulidade completa, e por já ter abusado da sua paciência ignorando neste texto em vários momentos um dos princípios básicos da redação jornalística que é a objetividade, cheguei por vias mais que tortas aonde eu queria. O que mais chama minha atenção entre os argumentos usados pelos defensores dos áudios digitais é a suposta vantagem que esta forma de mídia musical tem, do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, sobre as tecnologias anteriores, que ainda encontram simpatizantes vivos e apaixonados. O compartilhamento on-line seria, na opinião deles, ecologicamente mais correto, pois elimina o uso de materiais como vinil, papel, plástico e ligas metálicas na fabricação das mídias.

Esse pessoal esquece que, para ouvir esse conteúdo binário em áudio, são necessários players que consomem materiais extraídos ou produzidos de forma tão predatória ou catastrófica para as gerações futuras quanto os citados anteriormente e classificados como "obsoletos". Essa vulnerabilidade do discurso digital também não livra a cara da turma do vinil, que é um produto perecível e descartável e que depende também de players candidatos a lixo eletrônico. Só iguala o jogo.

Que me desculpem os analógicos e os binários, mas som verde e de alta fidelidade mesmo só quem faz é o passarinho.

A suposta volta da inflação

terça-feira, abril 19, 2011

Mercado Financeiro e o Entretenimento

Estatísticos e engenheiros tem queimado boa parte de sua massa cizenta construindo modelos matemáticos para prever o comportamento do mercado financeiro e das ações comercializadas. Tudo muito científico e racional. Mas a verdade é que o comportamento das bolsas tem um componente imponderável e decisivo, que é a percepção dos investidores e analistas financeiros sobre as empresas, seus negócios, cenários e oportunidades. Isso é subjetivo.

O sujeito tem uma noite horrível, acorda com o pé esquerdo e o mundo para ele vira um inferno naquele dia. Seu juízo para os negócios está comprometido. Se, por outro lado, ele, por alguma razão íntima e aleatória, se simpatiza com alguma empresa, faz boas resenhas sobre ela em seu relatório. Portanto, é o humor, paixão e ódio das pessoas, coisas bem mundanas e nada algorítmicas, é que determinam a oscilação dos indicadores do mercado financeiro.

Em vez de contratar executivos financeiros para cuidar do relacionamento com seus investidores, acionistas e analistas, as empresas deveriam requisitar os préstimos do pessoal de entretenimento: cantores, atores e atrizes, roteiristas e diretores de cinema, especialistas no encantamento e sedução das massas. Esse pessoal está plenamente capacitado para influenciar os influenciadores. Desde os tempos da Grécia Antiga, passando por Roma e Guerra Fria, é essa turma que comanda o ânimo das multidões.

Aliás, o relacionamento dos profissionais de entretenimento com a ciranda financeira não é recente. Mick Jagger largou o curso de economia para cair na estrada com sua banda (não é à toa que as turnês deles sempre estão entre as mais rentáveis). O performático e versátil David Bowie já abriu um banco, o Bowie Bank. E o Bono Vox tem uma empresa de private equity, a Elevation Partners. Todos artistas e executivos bem-sucedidos.

Imaginem o sucesso que não seria uma assembléia-geral mediada por um comediante de stand up?

terça-feira, abril 12, 2011

Oriente x Ocidente

O Oriente é o berço das religiões mais populares do Ocidente, onde se desenvolveu um dos sistemas econômicos mais predatórios de todos os tempos.
O centro de força econômica está migrando do Ocidente para o Oriente.
Quando estas duas manifestações da cultura humana começarem a interagir mais intensamente, o que restará dessas religiões? Será que será possível um coaching lama, ou seja, poderemos contratar um iluminado pessoal pelo Facebook?
Ou a economia se humanizará? Tipo os agentes econômicos farão o milagre da multiplicação e vão dar casa, comida e emprego para todo mundo sem prejudicar o ambiente?
Façam suas apostas.

Lógica imobiliária

A pedagogia dos corrompidos