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segunda-feira, janeiro 26, 2015
terça-feira, janeiro 20, 2015
sexta-feira, janeiro 09, 2015
A saia da sogra
Era uma senhora dramática. Bastava surgir um climão na família para ela desmaiar.
O desfalecimento era o sinal para a turma do deixa-disso entrar em cena e abafar o caso. Assim a família gerenciava os conflitos e tocava a vida.
Até que um dia entrou o primeiro genro no clã.
Cabreiro no início, ele só ficava de butuca, observando a dinâmica do grupo. Depois ficou à vontade e ganhou intimidade dos cunhados, dos sobrinhos, dos tios... menos da sogra, que sempre desconfiava do marido da filha. Intuía que ele, um dia, iria aprontar com ela.
Os anos de convivência desvendaram o embuste da sogra aos olhos argutos do “desgraçado”. Afinal, quem, na iminência de perder os sentidos, conseguia assentar a barra da saia antes da queda para não mostrar as vergonhas? Somente a sogra dele tinha este talento.
Entrou para a história da família o dia que o genro, cansado daquele teatrinho, desmascarou a velha. Comentou para todo mundo que a viu ajeitando o vestido, antes de despencar em câmera lenta no sofá macio, como se estivesse numa atmosfera de gravidade próxima a zero. E tudo isso aconteceu justo na hora em que começava uma DR entre os parentes.
Depois dessa evidência incontestável, ninguém mais deu bola para os faniquitos daquela mulher. Amuada, a sogra passou à resignação quando a cachaça corria solta e as vozes subiam o volume. Agora só pedia à Nossa Senhora para a poeira baixar antes que os escândalos vazassem para a vizinhança sedenta de fofocas. Aquele genro ainda haveria de pagar pela sua desmoralização!
O desalmado, por sua vez, vendo a tristeza da velha, que se achava incapaz de intervir nos conflitos com a mesma eficiência de antes, arrependeu-se. Afinal, ela só fazia aquilo em nome da paz. E passou a enchê-las de cuidados e gentilezas desde então. Sua esposa não o reconhecia nessas horas, tal a transformação do marido em relação á mãe dela. Até assumiu o papel de apaziguador na casa. Mais de uma vez impediu que alguns sopapos fossem trocados no lar. Isso lhe garantiu um mínimo de respeito velado da sogra, que, apesar disso, ainda urdia a oportunidade de se vingar da antiga desfeita.
Passaram os janeiros. Quis o destino que o genro abotoasse o paletó de madeira antes da velha. Infarto fulminante, disse o motorista do SAMU. No velório, muita choradeira, pois o defunto era muito querido por todos. Até pela velha mesmo, embora não admitisse isso em público.
Mas o coração da idosa exigia uma retratação e ela enxergou ali a oportunidade tanto aguardada. Então uniu a fome com a vontade comer.
Discretamente, ela se posicionou perto de um dos filhos favoritos, ajustou o vestido lentamente e
d
e
s
a
b
o
u
como uma pétala de rosa.
Foi sua derradeira “homenagem” ao genro.
O desfalecimento era o sinal para a turma do deixa-disso entrar em cena e abafar o caso. Assim a família gerenciava os conflitos e tocava a vida.
Até que um dia entrou o primeiro genro no clã.
Cabreiro no início, ele só ficava de butuca, observando a dinâmica do grupo. Depois ficou à vontade e ganhou intimidade dos cunhados, dos sobrinhos, dos tios... menos da sogra, que sempre desconfiava do marido da filha. Intuía que ele, um dia, iria aprontar com ela.
Os anos de convivência desvendaram o embuste da sogra aos olhos argutos do “desgraçado”. Afinal, quem, na iminência de perder os sentidos, conseguia assentar a barra da saia antes da queda para não mostrar as vergonhas? Somente a sogra dele tinha este talento.
Entrou para a história da família o dia que o genro, cansado daquele teatrinho, desmascarou a velha. Comentou para todo mundo que a viu ajeitando o vestido, antes de despencar em câmera lenta no sofá macio, como se estivesse numa atmosfera de gravidade próxima a zero. E tudo isso aconteceu justo na hora em que começava uma DR entre os parentes.
Depois dessa evidência incontestável, ninguém mais deu bola para os faniquitos daquela mulher. Amuada, a sogra passou à resignação quando a cachaça corria solta e as vozes subiam o volume. Agora só pedia à Nossa Senhora para a poeira baixar antes que os escândalos vazassem para a vizinhança sedenta de fofocas. Aquele genro ainda haveria de pagar pela sua desmoralização!
O desalmado, por sua vez, vendo a tristeza da velha, que se achava incapaz de intervir nos conflitos com a mesma eficiência de antes, arrependeu-se. Afinal, ela só fazia aquilo em nome da paz. E passou a enchê-las de cuidados e gentilezas desde então. Sua esposa não o reconhecia nessas horas, tal a transformação do marido em relação á mãe dela. Até assumiu o papel de apaziguador na casa. Mais de uma vez impediu que alguns sopapos fossem trocados no lar. Isso lhe garantiu um mínimo de respeito velado da sogra, que, apesar disso, ainda urdia a oportunidade de se vingar da antiga desfeita.
Passaram os janeiros. Quis o destino que o genro abotoasse o paletó de madeira antes da velha. Infarto fulminante, disse o motorista do SAMU. No velório, muita choradeira, pois o defunto era muito querido por todos. Até pela velha mesmo, embora não admitisse isso em público.
Mas o coração da idosa exigia uma retratação e ela enxergou ali a oportunidade tanto aguardada. Então uniu a fome com a vontade comer.
Discretamente, ela se posicionou perto de um dos filhos favoritos, ajustou o vestido lentamente e
d
e
s
a
b
o
u
como uma pétala de rosa.
Foi sua derradeira “homenagem” ao genro.
sexta-feira, dezembro 26, 2014
sexta-feira, dezembro 12, 2014
segunda-feira, dezembro 01, 2014
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Estou em crise. Queria escrever um poema. Só vingou um press release. Lead, sublead , pirâmide invertida. Que adianta onde, como, por que, ...





