sábado, setembro 22, 2007

Um certo pomar

Tem um certo pomar
onde dá de tudo.
Dizem que é sina do lugar,
eu acho que é por causa do adubo.

Seja o que for, lá não se cansa de brotar
laranja, banana, abacaxi.
O difícil mesmo é encontrar
uma fruta sã ali.

O curioso é que justo o fruto estragado
é o que atrai mais freguesia.
Da fruta podre até o caroço é cobiçado,
já a fruta sã lhes dá azia.

Tudo é cobrado antecipado,
moeda de troca não falta.
Assim o pomar é tratado,
e a safra é sempre farta.


domingo, setembro 02, 2007

Nua e crua

A verdade se revelou nua,
como num ensaio da Playboy.
Mas, como na revista,
o melhor só se insinua.

Quanto mais se mostra, menos se vê,
E o que se vê, será verdade mesmo ou não?
Nessa dúvida, tanto faz,
pois todos acabam sempre na mão!

E quem deve nada teme,
que se dane o Ibope.
Pois entre o clic e o papel,
sempre tem o Photoshop.

Corrupto

Era tão corrupto, mas tão corrupto, que às vezes até agia honestamente, só para provar que não tinha princípios.

Dor

A dor que dói dentro
é maior que a dor que dói fora.
Pois pra segunda tem ungüento,
mas pra primeira não tem hora.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Econometria básica.

Metrô, hora do rush. Tenho a sorte de sentar. Logo se forma uma muralha humana a minha frente. Em pé, um rapaz segura heroicamente com uma das mãos um livro robusto, mil e tantas páginas. Na capa lê-se "Econometria básica".
O senhor do meu lado olha para o tijolo de papel na mão do rapaz e em seguida deixa escapar a pérola:
- Se esse livro é o básico, imagina o tamanho do avançado!

A pedagogia dos corrompidos