Um infeliz foi pego roubando um estojo de canetinhas coloridas. Preso em flagrante, foi recolhido e, tempos depois, levado a julgamento.
- Para que o senhor roubou as canetas ? - perguntou o juiz (aquele mesmo que comeu a cabra).
- Para escrever - respondeu o réu.
Pela resposta, o juiz percebeu que o rapaz era prejudicado. Apertou aqui e ali e descobriu que o sujeito veio do nordeste com promessa de acolhida e trabalho. Não conseguiu nem um nem outro e foi para debaixo da ponte. Vivia do acaso e do alheio.
O magistrado sentiu pena. Era mais um caso para a assistência social do que para o xadrez. Enquanto ditava para o escrivão, o pobre diabo pediu licença.
- Doutor, o senhor vai me soltar?
- Se o senhor não me interrromper de novo, vou.
- O senhor pode me deixar preso até dezembro? - indagou o réu.
Era ainda setembro. O juiz estranhou o pedido e o rapaz desabafou:
- No começo eu sofria muito na cadeia. Mas agora está bom. Tem até água quente na cela. E depois vão servir peru no Natal. O senhor já comeu peru?
Comovido, o magistrado mandou um funcionário comprar um sanduíche de peito de peru para ele. Não tinha, voltou com um churrasco grego. Para não estragar a surpresa, não contaram isso ao preso, que lambeu os beiços.
Na saída da audiência, fizeram uma vaquinha e deram algum dinheiro para o pobre coitado.
3 comentários:
É a triste realidade da maior parte das pessoas... E a gente se preocupa com coisas tão pequenas...
Abraço.
Ah não, vai começar outra história do Juiz?
rs
Mas o que é que vc tem contra juiz?
Um abraço,
Marcelo de Andrade
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