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sexta-feira, agosto 17, 2012
sexta-feira, agosto 10, 2012
Um dia na vida da dona vaca
Em seguida fez o
dejejum com o iogurte light de uma respeitada marca de laticínios. Dona vaca
consome o produto com tranquilidade,
pois sabe que o leite utilizado por aquela companhia é extraído com toda a assepsia de fêmeas humanas e pasteurizado em seguida,
sem qualquer contato bovino.
O rádio informa que o clima está imprevisível, provavelmente
por conta do efeito estufa. Diz o repórter que o aquecimento global se deve, em
grande parte, aos gases emitidos pelos humanos, que prejudicam a camada de
ozônio que protege o planeta. “Que
desagradável”, rumina dona vaca, sorvendo a última colherada do laticínio.
Dona vaca deixa o conforto de seu lar, dá partida em seu
veículo elegantemente revestido de couro
humano e ruma para o trabalho, situado a poucos quilômetros da sua casa. Como
todo o gado sai para o trabalho ao mesmo tempo, ela enfrenta um pequeno
congestionamento, que a faz chegar atrasada.
No emprego, dona vaca é muito eficiente e recupera o tempo perdido. Meio expediente
depois, ela está em um restaurante nas imediações da empresa com seus colegas,
fatiando um delicioso bife de bebê humano, amaciado e temperado com ervas finas. Eles almoçam tranquilamente e ainda sobra um
tempinho para dona vaca dar uma espiada na vitrine de uma loja próxima. Ela não
resiste e compra uma linda bolsa de couro humano, com enfeites manufaturados
com osso.
O resto do dia corre sem grandes novidades. Alguns colegas trocaram
algumas chifradas e um bezerro aprendiz quase foi pisoteado, mas no final do
dia todos estavam com sensação do dever cumprido. Era hora de voltar para o lar
doce lar e se preparar para mais um dia de batente.
Dona vaca pega outro congestionamento na volta. A monotonia
do tráfego deixa dona vaca melancólica. E, num raro momento de reflexão, dona vaca percebe que falta algo em
sua vida. Ela vive só. O relógio biológico deu o alarme e seu instinto bovino
despertou.
Mas Dona vaca tem uma meta. Construir uma carreira de
sucesso e só depois constituir uma família. Mas o que fazer para sublimar seu
instinto maternal?
Na vizinhança da cidade, surge a solução na figura de um pet
shop. Guiada pela instinto, ela vai até a seção de animais para adoção e se
depara com a criança humana mais linda que já viu. Além de alegre, ela estava
tosada, imunizada, castrada e
vermifugada. Foi amor à primeira vista. Dona vaca adotou o animalzinho de
estimação e a instalou na área de serviço do seu apartamento. Ficaram até tarde
da noite brincando e dona vaca adormeceu, com a criança em seu colo.
terça-feira, agosto 07, 2012
sexta-feira, agosto 03, 2012
Kafka Ltda
Um dos livros mais angustiantes que já li foi O Processo, de Franz Kafka (1883-1924). É como viver um um pesadelo acordado. Nessa obra, o personagem Joseph K. é acusado de um crime que ignora, julgado e condenado arbitrariamente. Aliás, Kafka tinha uma obsessão: retratar personagens vítimas das circunstâncias ou de sistemas despóticos de poder. Em a Metamorfose, outro exemplo, o protagonista Gregor Samsa simplesmente desperta transformado em um grande inseto!
Kafka é tido como um dos autores mais influentes da literatura ocidental. No entanto (os críticos que me perdoem a audácia), a influência deste celibatário escritor não foi mapeada em toda a sua extensão. Essa interferência transcende os limites fantasiosos dos livros. O modelo kafkaniano de status quo foi adotado e perpetuado pela sociedade, tendo se infiltrado, inclusive, nas células familiares e mitocôndrias organizacionais.
Toda organização, pública ou privada, cujo poder jorra torrencialmente de forma unidirecional, geralmente no sentido descendente, é kafkaniana por excelência. Empresas e instituições, que tomam decisões arbitrárias, ignoram o diálogo e o direito à defesa em seus processos diversos, na relação com os mais variados stakeholders, emulam com maestria a obra desse escritor germânico, consciente ou inconscientemente, todos os dias.
Basta olhar ao redor. Os exemplos pululam como pipocas no microondas.
Não estranhe se um dia acordar com “um dorso duro e inúmeras patas”.
terça-feira, julho 31, 2012
segunda-feira, julho 30, 2012
O "próximo": uma espécie em extinção
Cientistas dizem que aproximadamente 150 a 200 espécies de plantas insetos, pássaros, peixes ou mamíferos vão para o beleléu a cada 24 horas. Bem, podem acrescentar "o próximo" na lista de candidatos à extinção porque, paulatinamente, temos nos esforçado bastante para se livrar desse entulho antropológico.
Na Pré-História, os nossos ancestrais, os *pitecus, viviam em bandos, vandalizando árvores e catando piolhos um dos outros.
Mas as copas ficaram muito muvucadas, e parte dos nossos parentes tiveram de ralar no chão em busca de comida. Nessa fase, entre dilúvios e eras glaciais, surgiram as tribos e a bebida alcoólica, não necessariamente nessa ordem.
Alguns milhares de anos depois, com a revolução industrial, podamos mais alguns galhos da árvore genealógica para facilitar o trabalho dos censores. A configuração familiar básica ficou restrita à clássica papai-mamãe-filhinhos.
Atualmente, o trabalho do censo ficou ainda mais fácil.
Não temos mais nem interesse em perpetuar a espécie.
A verdade é que a relação com o próximo está tão desgastada quem nem suportamos mais a presença física de outro ser humano. Quem vai feliz para a reunião de condomínio? Ou de pais e mestres? Da Associação de Amigos do bairro? Da missa de domingo? Viram?
Num mundo superlotado, queremos mesmo é distância do semelhante.
Quanto mais virtualizado o contato com o próximo, melhor. É por isso que preferimos trocar ideias por intermédio de engenhocas eletrônicas, como "smartphones", "redes sociais" e tabuletas.
Depois que eliminarmos "o próximo", finalmente descansaremos em paz.
Na Pré-História, os nossos ancestrais, os *pitecus, viviam em bandos, vandalizando árvores e catando piolhos um dos outros.
Mas as copas ficaram muito muvucadas, e parte dos nossos parentes tiveram de ralar no chão em busca de comida. Nessa fase, entre dilúvios e eras glaciais, surgiram as tribos e a bebida alcoólica, não necessariamente nessa ordem.
Alguns milhares de anos depois, com a revolução industrial, podamos mais alguns galhos da árvore genealógica para facilitar o trabalho dos censores. A configuração familiar básica ficou restrita à clássica papai-mamãe-filhinhos.
Atualmente, o trabalho do censo ficou ainda mais fácil.
Não temos mais nem interesse em perpetuar a espécie.
A verdade é que a relação com o próximo está tão desgastada quem nem suportamos mais a presença física de outro ser humano. Quem vai feliz para a reunião de condomínio? Ou de pais e mestres? Da Associação de Amigos do bairro? Da missa de domingo? Viram?
Num mundo superlotado, queremos mesmo é distância do semelhante.
Quanto mais virtualizado o contato com o próximo, melhor. É por isso que preferimos trocar ideias por intermédio de engenhocas eletrônicas, como "smartphones", "redes sociais" e tabuletas.
Depois que eliminarmos "o próximo", finalmente descansaremos em paz.
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Estou em crise. Queria escrever um poema. Só vingou um press release. Lead, sublead , pirâmide invertida. Que adianta onde, como, por que, ...



