As mídias sociais vão arrancar uma das mais belas pétalas da Flor do Lácio - a saudade, palavra tida como sem similar em outro idioma. Numa sociedade liquefeita, como sugere Bauman, este termo está perdendo todo o sentido original uma vez que a ubiquidade nos meios digitais vence qualquer barreira geográfica e até temporal.
Boa parte da humanidade economicamente ativa mantém on line algum tipo de registro pessoal (imagens estáticas, áudios, videos, textos) que pode ser resgatado a qualquer momento por entes queridos - e outros nem tanto - a qualquer hora do dia e da noite, ao menor sinal do sentimento primordial que deu origem ao termo em latim "solicitatem" e que depois foi adotado pela lingua portuguesa como "saudade".
Mesmo se apertar a necessidade de materializar a memória do objeto ou pessoa da qual sente falta, estão aí as impressoras 3D, que, como um gênio da garrafa, ou deus ex-machina, podem realizar tais desejos num passe de mágica. Com um "clic" aciona-se a usinagem e pronto: o busto da pessoa almejada ou uma réplica em resina de uma arma de época tangibiliza-se para matar a saudade - ops! - quero dizer, vontade.
E é isso mesmo, a saudade, aquele sentimento de algo inalcançável momentaneamente vai dar lugar a palavra vontade, que pode ser satisfeita imediatamente, ainda que por meios artificiais.
Numa sociedade em estado de liquefação não é de se estranhar que a saudade também seja pasteurizada, como as proprias relações sociais.
Pois é pessoal, até a saudade está em desuso.
O próximo passo será tornar o ser humano obsoleto e descartável.
Espera aí...
Que bom ver você por aqui! Comentários são bem-vindos. Volte sempre. Contato: marcelocartum@gmail.com
terça-feira, outubro 06, 2015
quarta-feira, setembro 30, 2015
terça-feira, setembro 29, 2015
O terno
Desconfio, mas não posso afirmar com certeza, que descobri o motivo que leva os homens de negócio a usar terno. Não é só pela elegância, pois outros tipos de roupa são tão elegantes quanto e muito mais confortáveis, ainda mais em um país tropical como o Brasil.
Sem levar em consideração qualquer pesquisa acadêmica e partindo apenas de uma análise semiótica leviana, defendo a tese de que os homens de negócio usam terno por medo. Como se o conjunto todo fosse uma armadura.
Quais evidências sustentam a minha tese? Bem, em primeiro lugar, o terno é guardado no armário. Antigamente, este móvel era usado para guardar armas e, com o tempo, cedeu lugar às roupas. Se prestarmos bem atenção, o terno envolve todo o corpo do executivo, deixando apenas os pés e a mãos de fora, como a couraça de um tatu..
Complementa o terno um acessório chamado gravata. O formato da gravata lembra uma espada, lança ou flecha. É óbvia também a semelhança com um falo. Aliás, a palavra gládio (espada curta) lembra glande, a ponta do pênis.
Pelo exposto, os homens de negócio usam o terno com a finalidade de se proteger e de reforçar a masculinidade perante os outros.
Acredito que o mundo será muito mais leve e terno quando o terno for aposentado...
Sem levar em consideração qualquer pesquisa acadêmica e partindo apenas de uma análise semiótica leviana, defendo a tese de que os homens de negócio usam terno por medo. Como se o conjunto todo fosse uma armadura.
Quais evidências sustentam a minha tese? Bem, em primeiro lugar, o terno é guardado no armário. Antigamente, este móvel era usado para guardar armas e, com o tempo, cedeu lugar às roupas. Se prestarmos bem atenção, o terno envolve todo o corpo do executivo, deixando apenas os pés e a mãos de fora, como a couraça de um tatu..
Complementa o terno um acessório chamado gravata. O formato da gravata lembra uma espada, lança ou flecha. É óbvia também a semelhança com um falo. Aliás, a palavra gládio (espada curta) lembra glande, a ponta do pênis.
Pelo exposto, os homens de negócio usam o terno com a finalidade de se proteger e de reforçar a masculinidade perante os outros.
Acredito que o mundo será muito mais leve e terno quando o terno for aposentado...
quinta-feira, setembro 24, 2015
sexta-feira, setembro 18, 2015
terça-feira, setembro 15, 2015
sexta-feira, setembro 11, 2015
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Estou em crise. Queria escrever um poema. Só vingou um press release. Lead, sublead , pirâmide invertida. Que adianta onde, como, por que, ...





