Princesinha, ouça minha prece
Me perdoe se minha paciência
brica de esconde-esconde.
Ou se meu humor parece
pular amarelinha.
Quanto te repreendo no restaurante
(Cadê você? Fugiu do prato!);
Quando não te abraço o bastante,
ou sou mais gelado do que refrigerante.
Te digo, filha, às vezes é só o cansaço.
Me desculpe também
Pelas vezes que fiz do teu berço uma cela;
e nas que, com chapéu de padrasto,
me recusei a ver contigo Cinderela.
Se te neguei um brinquedo,
não foi por maldade, mas por medo
de te fazer pensar que tens o mundo
na ponta do dedo.
Se te obriguei a por sapatinhos de cristal,
quando o que mais querias era brincar descalça no quintal.
Quando te censurei o sorriso que tomei por desfeita
e se te arranquei alguma lágrima como o boi da cara preta.
Peço-lhe, anjinho sapeca, o favor de desculpar minhas faltas.
É que estou aprendendo a ser pai, amigo e educador,
ao mesmo tempo em que tomo aulas de você, minha flor.
Por isso, abelhinha inquieta, te peço calma.
E também quero lhe agradecer por me ajudar,
a arrancar as ervas daninhas da minha alma,
com suas mãozinhas de neném.
4 comentários:
É lindo! vou imprimir (desculpe ae te causar uma má impressao...), é irresistível. Minha Pulguinha também é minha Cinderela. Perguntinha: como você arranja tempo pra tanto? É no sacolejo do busao?
Bjos,
Mel
Mel, a cabeça funciona no piloto automático. Agora a minha Mel dorme. estou aproveitando...
Esse texto é muito lindo!
amei, amei, amei e amei.
beeeijos!
Obrigado pelas manifestações esfuziantes.
Indicações ao Nobel de literatura serão bem-vindas. rsrsrsrs.
Marcelo
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