Pessoa jurídica
Já escrevi neste blog minha discordância sobre a comparação
de uma organização com o corpo humano. No corpo humano, os órgãos buscam
compensar, solidária e automaticamente, a deficiência de outro órgão, no limite
de suas capacidades e atribuições. Assim os demais sentidos se tornam mais
aguçados em um cego, e o paraplégico, pela força das circunstâncias, desenvolve
bíceps de um Mister Universo. É a lei da compensação.
Nas organizações não é bem assim.
Cada gestor defende caninamente seus interesses e ninguém
quer dar um braço a torcer. O empregado quer ganhar mais, e o patrão quer pagar
menos. O marketing quer personalizar
tudo e o gerente de fábrica defende uma linha de montagem massificada, mais
fácil de operar. E por aí vai. Cada um na sua, remando o mesmo barco para uma direção
diferente.
Agora tenho minha própria teoria. Outros autores devem ter
proposto hipóteses muito melhores e fundamentadas, mas, para mim, as empresas
deveriam ser administradas e entendidas mesmo como pessoas físicas, dotadas de uma
personalidade (cultura) e identidade (marca) e não como pessoas jurídicas. O desafio dos
gestores seria tornar essa entidade corporativa uma pessoa melhor a cada dia. Mais
sábia, mais competente, mais sensível, mais humana. E não como um monte de esquizoides lutando por
seus feudos.
Essa abordagem - até ingênua e romântica, confesso - facilitaria muito as coisas para todas as
partes. Principalmente se os gestores tomarem as decisões baseadas numa
diretriz tão simplória que meus dedos chegam até a doer enquanto teclo: “não
faça com os outros o que não gostaria que
fizessem com você”.
Sua empresa está na dúvida se vai lançar um produto? Simples.
Basta fazer a seguinte pergunta: “Eu daria esse troço para meu filho?” Ou: “Eu me sentiria ridículo agindo como sugere
a propaganda que está na minha
mesa para ser aprovada?”. Se a empresa como um todo pensar assim – como qualquer
pessoa bem intencionada faz – o mundo corporativo seria muito diferente.
Raciocínios como esse eliminariam muitas decisões equivocadas
e economizariam muito dinheiro.
Como qualquer pessoa almeja.
4 comentários:
Cara, excelente seu post. Chega a ser lindo de tão idealista. Faz muito tempo que acompanho seu trabalho e nunca tinha comentado nada, mas acho uma covardia um texto tão bom passar em branco. Parabéns!
Muito bom seu texto! Chega a ser lindo de tão idealista! Faz muito tempo que acompanho seu trabalho, mas nunca tinha comentado nada até hoje. E só comentei pq achei covardia um texto tão bonito passando em branco. Parabéns!
Desculpa mandar o comentário duas vezes. Não vi que a moderação estava ativada e achei que vc n tinha recebido, então dei ouvido ao meu lado paranoico e mandei novamente. Ainda bem que ouvi a razão e decidi dar uma olhada na página, senão estava arriscado eu passar a noite inteira enviando o mesmo comentário.
"Se"
Não sei porque, tenho um caso de amor e ódio com essa palavra.
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